Nada mais irritante para quem não está no meio da zona musical de um ensaio de um bando de adolescentes, o barulho de péssima qualidade de quem toca com todo ímpeto achando que está abafando. Os vizinhos que se danem, que suportem o som de ótimo gosto mas de péssima qualidade de execução e de equipamentos. Pai e mãe são obrigados a aturar mesmo, então, os pais de Bill Mendonça tinham mesmo que fazer cara de alegria enquanto ouviam o som de instrumentos de segunda linha. Pedestal para microfone? Nem sei o que era usado. Lembro-me apenas de uma "caixa de som" que usamos por uns dias: um altofalante dentro de um balde.
Em meio a todo esse improviso, entre adolescentes meio roqueiros ainda magros, existia alguém que já partia para área de festas da casa do Bill ao ouvir os primeiros sons. Tratava-se de Ana Paula Giesteira, a vizinha da casa da frente. Ela ouvia atentamente cada erro sem perceber nenhum e achava tudo lindo, tudo maravilhoso. Ali, naquele espaço, nasceu a Falciforme e, com ela, vem associada a primeira fã. Ser fã às vezes é estranho. É estar ali por reconhecer algo em alguém, mesmo que não haja muito a ser reconhecido. Ana se tornou amiga e como a vida dá voltas, posso falar que me tornei um grande fã dela também. Mas como os anos se passaram e a cabeça amadureceu bastante, sou admirador com convicções e sabendo exatamente porque me tornei um grande amigo dela.
Quem sabe o destino da Falciforme? Não há como prever, mas se um dia ela tiver uma legião de fãs, isso sempre terá como ícone o nome de Ana Paula Giesteira. A banda teve muitos admiradores desde então, mas nada se compara ao fato de se acreditar em pessoas que estavam apenas começando a entender o que era ser um grupo de música. Contra as circunstâncias, ela acreditou que daria certo. A primeira sempre será única.
Homenagem merecida!!!
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