Começou como "Como formigas no piquenique", depois passou a "Formigas no piquenique", e agora, simplesmente "Formigas". Juro que fiz todo esforço mental pra me lembrar a razão de ter escolhido esse título. Talvez meu velho amigo ou algumas das antigas amigas saibam pelo fato de eu ter citado algo na época.
A letra tem um ar pretensioso mas nem era pra soar assim. É, simplesmente, alguém com toda convicção dos seus sentimentos por alguém. É alguém que reconhece o seu valor, ou ao menos o valor do seu amor, que não foi correspondido. Alguém que insisite que uma relação só pode dar certo pra quem tenta (anos depois, Renato Russo diria "Só daria certo aos dois que tentam").
O amor não aconteceu. Ela não quis tentar, não quis arriscar. Assim, restou imaginar que um dia ela cairia em si, percebendo a perda, tamanha era a certeza de que o amor dado só faria bem. Se por um instante poderia haver um orgulho em aceitar de volta a mulher amada, o final da letra mostra o quanto demoramos a esquecer um grande amor, se é que esquecemos, e como estamos sempre dispostos a recebê-lo de volta por achar que nunca é tarde demais.

